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Trabalhadores das obras da UTE Pampa Sul seguem paralisados
A categoria reivindica, entre outros itens, reajuste salarial de, no mínimo, 9% e melhor aproveitamento da mão de obra regional
O s trabalhadores que
estão atuando nas
obras de construção
da Usina Termelétrica Pampa
Sul (Miroel Wolowski)
entraram no sétimo dia de
greve nesta segunda-feira,
13. As atividades estão interrompidas
desde terça-feira, 7,
quando os operários aderiram
à paralisação. A greve foi
decretada oficialmente na
quarta-feira, 8.
As principais reivindicações
da categoria,
cuja data-base é 1º de maio,
são reajuste salarial de, no
mínimo, 9%; aumento de
mais de 100% do vale-alimentação,
que hoje é de R$
220, e que o mesmo não seja
descontado nos dias em que
os funcionários faltarem
o trabalho. O presidente
do Sindicato da Indústria
da Construção de Estradas,
Pavimentação e Obras de
Terraplenagem em Geral no
Estado do Rio Grande do Sul
(Siticepot), Isabelino Garcia
dos Santos, diz que o vale-refeição não é pago mesmo
que a falta ao trabalho tem
sido motivada por doença.
Além do reajuste salarial, o
Siticepot quer que a remuneração
mensal dos operários
(carpinteiros, soldadores, pedreiros
e serventes) da Pampa
Sul, que está em torno de R$
1,3 mil, se equipare a dos
trabalhadores do polo naval
de Rio Grande, que, segundo
Santos, passa de R$ 2 mil. A
entidade busca ainda aumento
salarial para os mecânicos.
A proposta é que o salário
desses profissionais passe de
R$ 1.640,00 para R$ 2,7 mil.
De acordo com líder
sindical, mais de 90% dos 1,8
mil trabalhadores que estão
atuando nas obras da termelétrica
aderiram à greve.
No entanto, nesta segunda-
-feira, 13, ele diz que entre
1,3 mil e 1,4 mil paralisaram
as atividades. “Hoje (13 de
fevereiro), trabalhadores de
outras empresas (que prestam serviços na construção da
nova usina) nos procuraram”,
conta Santos, destacando
que a tendência é que o movimento
se expanda ainda
mais. Segundo ele, mais da
metade da mão de obra que
está trabalhando para erguer
a Pampa Sul é de outras regiões do Estado e do país. Em
razão disso, ele assinala que
outra bandeira levantada pelo
sindicato é para que sejam
contratados mais moradores
da região de Candiota para
construir o empreendimento,
da Engie Brasil Energia.
NOTIFICAÇÃO - A usina,
que terá capacidade instalada
de 340 megawatts e
investimento total de R$ 1,8
bilhão, está sendo construída
na localidade candiotense
de Seival e deverá operar
comercialmente a partir de
janeiro de 2019. A Engie
Brasil Energia contratou a
chinesa SDEPCI para fazer e
entregar pronta a termelétrica e essa, por sua vez, terceirizou
boa parte dos serviços.
De acordo com o sindicato,
15 empresas terceirizadas estão
trabalhando, atualmente,
nas obras da Pampa Sul. O
vice-presidente do Siticepot,
Luiz Gonzaga Vidal da Silva,
lamenta que nenhuma das
terceirizadas aceitou receber
a notificação contendo as
propostas dos trabalhadores.
Devido a isso, o documento
foi enviado por e-mail às
empresas. “Não mostraram
boa vontade em negociar
em nenhum momento. Isso
dificulta”, ressalta Silva.
A UTE Pampa Sul
começou a ser erguida no
início do segundo semestre
de 2015. Essa é a segunda
paralisação dos trabalhadores.
A primeira ocorreu em
junho do ano passado e durou
seis dias.
MANIFESTAÇÃO – Na manhã
desta segunda-feira, 13,
ocorreu um ato em frente
ao canteiro de obras da UTE Pampa Sul. Conforme
Santos, a manifestação
contou com a presença de
representantes da Federação
dos Metalúrgicos do Rio
Grande do Sul, da Central
Única de Trabalhadores
do RS (CUT-RS), Central
Sindical e Popular Conlutas
e da Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do
Brasil (CTB-RS), além de
políticos da região.
LIMINAR – Com relação
ao fato de o Siticepot estar
impedindo o acesso dos
trabalhadores ao local da
obra, o presidente da entidade,
Isabelino Garcia dos
Santos, rebate a denúncia,
dizendo que os portões da
usina ficam abertos e os
trabalhadores não entram
porque não querem. E sobre
a questão de o Siticepot
estar representando os funcionários
da Pampa Sul,
Santos ressalta que a Justiça
de Bagé concedeu, na tarde
desta segunda-feira, 13,
liminar favorável à entidade,
reconhecendo que ela tem legitimidade
para estar à frente
do movimento. “Somos os
autênticos representantes
dos trabalhadores”, ressalta
Santos, mencionando que
o sindicato fez um abaixo-assinado e o documento
conta com assinaturas de
mais de 60% da mão de obra
da usina. “Estamos fazendo
o que os trabalhadores querem,
nada mais que isso”,
conclui o dirigente.
A advogada da
SDEPCI, Lílian Soll, afirma
não ter conhecimento da
liminar concedida ao Siticepot
e ressalta que entrará
em contato com a Justiça
do Trabalho para obter informações
sobre o assunto.
OBSERVAÇÃO – O gerente
socioambiental da
UTE Pampa Sul (Miroel
Wolowski), Hugo Roger
Stamm, comunica que a
empresa está acompanhando
as movimentações e
negociações dos trabalhadores
envolvidos na obra
da usina. “Tratam-se de
trabalhadores de empresas
subcontratadas pela chinesa
SDEPCI para atuar na obra
da UTE Pampa Sul. Desde
o início da mobilização, a
UTE Pampa Sul está em
contato com a sua contratada,
a SDEPCI, buscando informações
sobre os motivos
da manifestação, visando
manter a transparência e
a seriedade que permeiam
as atividades do Grupo,
tanto no aspecto técnico
quanto no aspecto social”,
destaca Stamm.
Conforme
o executivo, a expectativa
é que a situação possa ser
solucionada, visando não
comprometer o prazo de
entrada em operação da
usina, conforme preconiza
o edital do leilão de energia
de novembro de 2014.
Para SDEPCI, movimento é muito
mais uma briga de sindicatos
A empresa chinesa
SDEPCI classifica a atitude
do Siticepot de encabeçar a
paralisação como ilegítima.
“Essa greve foi instaurada
pelo sindicato de Porto Alegre
que não tem legitimidade
para representar os trabalhadores”,
assinala a advogada
da SDEPCI, Lílian Soll.
Segundo ela, a entidade que
representa a categoria é o
Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção
e Mobiliário de Bagé (STICM
Bagé). Lílian enfatiza
que todas as empresas que
estão atuando na obra estão
pagando o dissídio que foi
negociado com o sindicato
bageense.
A advogada informa
ainda que, na terça-feira,
7, a SDEPCI conseguiu
liminar na Justiça para ter
livre acesso ao canteiro
de obras da UTE Pampa
Sul. No entanto, ela diz que os operários estão sendo
impedidos de trabalhar
pelos representantes do
Siticepot, sendo, inclusive,
ameaçados de agressão
física. A profissional relata
que esteve no local da obra
na sexta-feira, 10, e nesta
segunda-feira, 13, com a
Brigada Militar, para garantir
o cumprimento da liminar,
mas, mesmo assim não
foi permitida a entrada dos
trabalhadores ao canteiro
de obras. Inclusive, ela diz
que, nessa segunda, além
dos policiais militares de
Candiota, veio um reforço
da BM de Bagé e um oficial
de justiça. “Mais um dia
de trabalho que se perde”,
destacou. “Esse movimento
é muita mais uma briga de
sindicatos do que uma briga
de direitos (trabalhistas)”,
observa Lílian, acrescentando
que a SDEPCI tomará
todas as medidas legais
cabíveis para pôr fim ao
movimento.
Dos aproximadamente
1,8 mil trabalhadores
da Pampa Sul, a advogada
afirma que, desses, em torno
de 1,1 mil querem trabalhar
e estão sendo impedidos.
“Quem está perdendo são
os trabalhadores com esse
movimento ilegal e irresponsável”,
conclui.
O presidente do
STICM Bagé, Nicanor Fara,
considera desonesta a ação
do Siticepot. “Acho até que
estão de brincadeira com a
entidade (STICM Bagé) e
com o presidente da entidade”,
analisa o dirigente.
De
acordo com ele, nenhum trabalhador
da UTE Pampa Sul
contatou a entidade bageense
para tratar sobre as reivindicações
da categoria. “Nosso
sindicato é um sindicato
profissional, não entramos
em confronto”, ressalta.
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