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Nossa maior riqueza: Seminário promovido pela Fiergs debate o futuro do carvão mineral
Possíveis investimentos em um polo carboquímico no Rio Grande do Sul foram debatidos em evento sobre usos sustentáveis da matéria-prima
A abundância das reservas
de carvão mineral
no Rio Grande
do Sul justifica qualquer
esforço, seja da iniciativa
privada ou de governos,
para que o Estado use essa
riqueza e gere valor e desenvolvimento.
O seminário
“Novas Perspectivas para o
Uso Sustentável do Carvão”
não deixou dúvidas sobre
esta acertiva.
Realizado na última
terça-feira (18), na sede
da Federação das Indústrias
do Rio Grande do Sul
(Fiergs), em Porto Alegre, o
evento reuniu empresários
que estão interessados em
investir nos negócios possíveis
relativos ao carvão,
sobretudo, ligados a um polo
carboquímico.
Com a parceria do
Sindicato Nacional da Indústria
de Extração de Carvão
(Sniec), o presidente da
Fiergs, Heitor José Müller, manifestou o apoio da entidade
a um projeto integrado
que trate a matéria-prima
existente no Estado com o
devido potencial que merece.
“Podendo a extração de
carvão mineral ser altamente
tecnológica e limpa, é evidente
que temos em nossa
frente uma possibilidade de
abrir o horizonte para essa
nova economia”, afirmou.
Ele reforçou, com
a presença do secretário
estadual de Minas e Energia,
Artur Lemos Júnior, que o
desafio atual é, justamente,
encontrar os meios de unir
políticas públicas com a
iniciativa privada. “Se a
visão é transformar o carvão
mineral em um importante
fator econômico do Estado –
e o potencial chega à casa de
bilhões de dólares em investimentos
–, então contamos
com a sensibilidade de nossos
políticos para ajudarem
a viabilizar os projetos já
em andamento e os muitos
outros que poderão surgir”,
destacou Müller.
Não por acaso, a
Secretaria de Minas e Energia
trabalha para apresentar
políticas que ajudem a competitividade
do segmento de
energia. Segundo o secretário,
“quando falamos de
carvão, é importante lembrar
que o Rio Grande do Sul
possui 89% das reservas
nacionais (a grande maioria
em Candiota). São mais de
28 bilhões de toneladas do
mineral. Só que essa verdadeira
‘mina de ouro’ ainda
carece de meios para se
desenvolver”, reconheceu.
O deputado estadual
Lucas Redecker, que
compõe a Frente Parlamentar
de Apoio à Mineração,
declarou que tem realizado
intensa articulação para que
a Assembleia Legislativa
aprove projetos que ajudem
a “deslanchar” a economia do carvão. “As eventuais
privatizações da CRM
(Companhia Riograndense
de Mineração) e da Sulgás
serão um passo largo para
a atração de investimentos
específicos. Espero que muito
em breve tenhamos essas
boas notícias”, disparou.
POTENCIAL - Com uma
estimativa de investimento
na ordem dos bilhões de
dólares, que vão desde infraestrutura
necessária até a alta
tecnologia de equipamentos
que processam o carvão para
gerar gás natural e outros insumos
como ureia, amônia,
metanol, metano (GNS) e
até diesel, a Fiergse o Sniec
divulgaram um estudo de
viabilidade que dá segurança
a possíveis empresas locais,
nacionais e estrangeiras, em
projetos de investimento.
No final de 2016, as
duas instituições assinaram
um termo de cooperação
técnica com apoio institucional
do governo do Estado.
A projeção já tem uma parte
real.
Somente um projeto
capitaneado pela mineradora
Copelmi dá conta de
1,5 bilhão de dólares, que
sairá do papel em 2018. Será
uma parceria de investimentos
com a gigante sul-coreana
Posco, uma das maiores
siderúrgicas do mundo.
Trata-se da construção de
uma usina de extração de gás
do carvão com capacidade
para gerar até 2 milhões de
metros cúbicos por dia. O
diretor de desenvolvimento
de novos negócios da Copelmi
(empresa que estrutura a
retomada de uma mina em
Candiota para abastecer a
UTE Pampa Sul), Roberto
Faria, foi um dos palestrantes
do seminário e confirmou
as informações.
Em sua percepção, muitas empresas se
interessam pelos negócios
no segmento de carvão que
ultrapassem o âmbito da geração
de energia elétrica nas
usinas térmicas. “Um complexo
carboquímico pode
gerar uma movimentação
econômica acima da casa
de 5 bilhões de dólares”,
estimou.
A ideia de um polo
carboquímico gaúcho abre
oportunidades para as cadeias
produtivas de construção
civil, metalmecânica,
máquinas e equipamentos químicos e outros.
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