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Retomada da economia é fator decisivo para que Usina Nova Seival
saia do papel
Empreendimento realiza no próximo dia 20 de maio a audiência pública para obtenção da
licença ambiental prévia (LP)
Os níveis de aquecimento da economia brasileira e mundial se refletem no consumo de energia elétrica.
Quanto menor a atividade econômica, menos demanda energética. Esse é um binômio primário para
qualquer interessado em saber como se comporta o mercado.
Entretanto, a empresa Energias da Campanha, segundo o diretor técnico, Levi Souto Júnior, que por
videoconferência concedeu uma entrevista exclusiva ao TP, está pronta para enfrentar os desafios,
superar as adversidades do momento e empreender a Usina Termelétrica Nova Seival. “Dos três
elementos necessários para tirar o projeto do papel, dois deles e que dependem diretamente de nós, já
temos”, adianta o executivo.
Em obtendo a licença ambiental prévia (LP), o projeto possui autorização para participar dos leilões de
energia. Em a licença sendo emitida ainda este ano pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e
Recursos Renováveis (Ibama) e o governo federal realizando um leilão em 2021, a Nova Seival então
estará apta a participar.
DEMANDA – Não comparando, pois são projetos distintos, porém que possuem a mesma fonte, o
carvão mineral, a UTE Ouro Negro (600MW) – projetada para ser erguida em Pedras Altas, já possui LP há dois anos, porém as condições do mercado não estão sendo atraentes para que o projeto sequer possa
participar dos leilões. Esta é uma realidade atual que precisa ser levada em conta, qual seja, a baixa
atividade econômica impactando os negócios e obviamente o mercado energético.
Contudo, o executivo da Energias da Campanha garante que a Nova Seival possui, naquilo que está ao
seu alcance, todas as credenciais para tirar do papel o empreendimento. O sucesso deste tipo de
iniciativa depende de três fatores: projeto, investidor e o leilão.
Segundo Levi, dois deles já estão garantidos. Apenas aguardando o licenciamento prévio, o projeto (já
cumprindo o primeiro requisito), conforme Levi, possui um investidor, que é chinês e com acordo prévio
firmado. O diretor técnico não revelou mais detalhes do investidor, apenas dizendo que ele possui
plantas térmicas a carvão em funcionamento na China e outras partes da Ásia. “Assim, ficamos na
expectativa de um leilão e das condições do mercado, da demanda. Ainda há uma grande interrogação
para este ano, mas estamos prontos”, destaca ele.
PROJETO – Desde 2019, que a Energias da Campanha está empenhada para o desenvolvimento do
projeto da UTE Nova Seival, em Candiota. O empreendimento é fruto da fusão e atualização de outros
dois que já obtiveram, junto ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), as
licenças prévia e de instalação no passado, a UTE MPX Sul (727 MW) e a UTE Seival (600 MW) – ambos
adquiridos suas licenças pelo grupo empresarial secular gaúcho, a Copelmi.
Para o desenvolvimento da UTE Nova Seival, a Copelmi, que já atua em Candiota por meio da Seival Sul
Mineração (SSM), fornecendo carvão para a UTE Pampa Sul, criou a empresa Energias da Campanha.
Como dito, o TP conversou por videoconferência com o diretor técnico da Energias da Campanha, que
também explicou um pouco este processo de realização da audiência pública para a obtenção da licença
ambiental prévia (LP) junto ao Ibama.
Levi é um executivo que possui longa experiência no desenvolvimento de projetos térmicos a carvão,
inclusive tendo participado da elaboração do projeto da UTE Pampa Sul e também nos dois projetos que
deram origem a UTE Nova Seival.
Como a comunidade regional já está acostumada e é sabedora, uma das etapas cruciais de um projeto do
porte da UTE Nova Seival, é a obtenção da LP. O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto
ao Meio Ambiente (Eia/Rima), segundo Levi, foi entregue ao Ibama no segundo semestre de 2020.
“Agora em março, o órgão deu sinal verde e a partir disso temos 45 dias para realizar a audiência”,
explicou.
A LP é condição inegociável para que o projeto, que tem investimentos estimados em 1,3 bilhão de
dólares (algo em torno de R$ 7 bilhões em cotação atual), possa participar dos leilões de energia e assim
seja tirado do papel.
Com capacidade de duas máquinas de 363MW cada, totalizando 726MW de potência instalada, a Nova
Seival tem a pretensão de ser uma gigante térmica erguida em Candiota, tendo por local uma área já
minerada pelo Seival Sul Mineração (SSM), próxima à BR-293.
Com tecnologia supercrítica em leito fluidizado circulante – única no Brasil, ela possui eficiência de
40%, o que na prática reduz em 15% a mais as emissões de CO2 (dióxido de carbono) do que as usinas já
em operação no país, que possuem eficiência de 35%. A cada 1% de eficiência se reduz 3% de emissões.
Ela possui um Custo Variável Unitário (CVU) de R$ 90 o MW, o que é considerado baixo para os padrões nacionais.
O reservatório de água será construído logo abaixo do atual da UTE Pampa Sul, no leito do rio Jaguarão,
próximo ao Passo do Neto, na divisa entre Candiota e Hulha Negra.
O carvão será fornecido pela SSM e a usina tem vida útil de 25 anos. A conexão de energia será feita na
Subestação Candiota II, que neste momento está sendo construída pelo consórcio Chimarrão.
A expectativa de geração de empregos diretos é de 2,5 mil no pico da obra, com média de mil nos 48
meses previstos de construção. Quando em funcionamento serão 145 empregos diretos e outros cerca de
4,6 mil indiretos.
A AUDIÊNCIA – A audiência pública será realizada em Candiota em pouco menos de um mês, no dia
20 de maio, a partir das 18h. Por uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), em
função da pandemia da Covid-19, todo o procedimento precisa ser virtual, ou seja, as pessoas não
participarão de forma física e sim por meios digitais e eletrônicos.
O diretor técnico da Energias da Campanha assinala que nem mesmo os técnicos do Ibama estarão em
Candiota, sendo que participarão de forma remota desde Brasília. O evento será transmitido ao vivo pelo
internet. No plenário da Câmara de Candiota, de onde vai acontecer a transmissão, serão tomados todos
os cuidados exigidos pelas autoridades de saúde em relação à Covid-19, mesmo porque, poucas pessoas
estarão no local.
Segundo adiantou Levi, na Câmara, além dele, na mesa dos trabalhos estará o diretor-presidente da
Energias da Campanha, Roberto Faria, dois técnicos ambientais que elaboraram o Eia/Rima e os
prefeitos de Candiota, Luiz Carlos Folador e de Hulha Negra, Renato Machado.
Levi enumera que a audiência, nos próximos dias, terá uma ampla e massiva divulgação, quando a
comunidade regional será orientada de forma didática, como ela poderá participar. “As pessoas poderão
acessar a audiência em várias plataformas, seja em redes sociais, inclusive no Youtube, bem como pelo
site do projeto, quando preencherão um formulário de participação, podendo encaminhar suas perguntas por ali, por outros meios e até por um telefone 0800, que será disponibilizado. Também
estamos viabilizando que rádios locais façam a transmissão ao vivo.
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