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Cerca de 300 famílias estão sem água no interior de Hulha Negra
No município, que é abastecido exclusivamente por meio de poços artesianos, a situação se
agrava a cada dia que passa sem chuvas. Em entrevista ao TP na quarta-feira (4), o
coordenador de águas do interior, Moisés Abreu, mostrou preocupação com o cenário da
seca, principalmente no campo. Segundo ele, dos 28 assentamentos e três comunidades do
interior do município, somente três ainda não necessitam de abastecimento por meio de
caminhão pipa, o que já chega a 300 famílias atendidas. “Diariamente o caminhão está nas
estradas levando água para as famílias e este número só aumenta. Constantemente recebo
ligações das pessoas solicitando água, mas gostaria de esclarecer que estamos fazendo o
possível, utilizando dois caminhões e um trator com tanque para locais mais próximos”,
explica.
Frisando mais o momento de preocupação, Abreu também explica que o interior é
abastecido com água de dois poços – um da Serra da Hulha e outro da Trigolândia. “Hulha
Negra não possui água suficiente para atender a todos da forma necessária. É difícil e até
mesmo triste chegar às propriedades e ver as famílias sem água e cuidando cada gota que é
colocada na caixa de água. Entendemos, pois cada família está recebendo em torno de 500
litros que devem durar quase 15 dias. Infelizmente é o que estamos conseguindo fazer no
momento”, lamenta.
SEDE – A reportagem do TP também contatou com o vice-prefeito Igor Canto, para saber
as medidas tomadas de forma imediata e projetos para amenizar o problema de falta de água que assola a área urbana. Isso porque, o município já passa, desde o final de
dezembro de 2019, por racionamento de água durante a tarde – das 13h às 17h – podendo
levar a períodos longos em locais altos e prédios devido à falta de pressão na rede de
abastecimento.
Conforme o gestor, quatro obras estão previstas para melhorar o sistema, sendo uma a
construção de uma rede adutora para ligar a caixa de água localizada ao lado da igreja
católica, ao bairro Floresta. “Esse é um projeto pela Fundação Nacional de Saúde
(Funasa), da época do governo anterior e conseguimos fazer alterações. Estamos
aguardando a empresa responsável para iniciar a obra que, quando pronta, vai abastecer o
bairro sem que haja necessidade de, diariamente, abastecermos a caixa com caminhão.
Também pela mesma empresa, deverá ser trocada a mangueira que leva água até o Santo
Antônio, por uma rede, melhorando o abastecimento”, relata o gestor.
Canto também anunciou a instalação de hidrômetros nas residências para o consumo
consciente de água. “A falta de água e o racionamento se agravam pelo uso inconsciente de
água – enchimento de piscinas e lavagem de casas e carros constantemente. A empresa
contratada vai fazer as instalações e as famílias vão pagar pelo que consumirem. Vai ser
necessária a adaptação dos moradores, mas já é algo implantado na maior parte dos
municípios”, expõe.
Uma obra esperada há bastante tempo pela comunidade é a construção de uma Estação de
Tratamento de Água (ETA) pela UTE Pampa Sul – com capacidade de 20 mil litros de
água por hora – na Trigolândia. Junto à estação, serão construídas duas redes adutoras,
uma para envio da água da barragem que abastece a usina até a ETA e outra para a sede do
município. “A prefeitura já instalou luz e água no canteiro de obras da empresa, agora aguardamos, de fato, o início da obra que, segundo nos foi repassado, não deve demorar
para ser concluída”, explicou o gestor.
Por fim, o vice-prefeito falou sobre um poço artesiano localizado no Ceppa e com
capacidade de produção de 24 mil litros de água por hora, que também abasteceria Hulha
Negra e segundo Canto, não está ocorrendo. “Estamos contatando o governo do Estado
para uma solução, inclusive há uma reunião marcada para a próxima semana entre o
prefeito Renato Machado e o secretário de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural
Covatti Filho, pois beneficiaria em torno de 154 famílias do interior de Hulha Negra”,
manifestou Igor, expondo também o objetivo de aluguel de uma escavadeira hidráulica
para limpeza de açudes e captação de água da chuva quando ocorrerem precipitações e a
compra de tanques com reboques para as associações de moradores dos assentamentos
para que eles possam buscar a água e auxiliar o processo de abastecimento.
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